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Educação Física Escolar (Por Iranira Geminiano de Melo)

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Iranira Geminiano de Melo
Porto Velho/RO - Brasil
E-mail: iranira@hotmail.com
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Educação Física Escolar: Um Relato de Vivência na Perspectiva da Promoção da Saúde

As doenças e agravos não transmissíveis vêm aumentando e, no Brasil, são a principal causa de óbitos em adultos, sendo a obesidade um dos fatores de maior risco para o adoecimento neste grupo. A prevenção e o diagnóstico precoce da obesidade são importantes aspectos para a promoção da saúde e redução de morbimortalidade, não só por ser um fator de risco importante para outras doenças, mas também por interferir na duração e qualidade de vida, e ainda ter implicações diretas na aceitação social dos indivíduos quando excluídos da estética difundida pela sociedade contemporânea. (BRASIL, 2006:9).

Promoção da saúde é qualquer combinação de suporte educacional, organizacional, econômico, e ambiental para um comportamento que conduz à saúde. É a arte de ajudar pessoas a manter seus estilos de vida para um estado ótimo de saúde (BARBANTI, 2003:484).

Para Nieman (1999) promoção da saúde é a ciência e a arte de ajudar as pessoas a modificarem o seu estilo de vida para uma condição ótima de saúde. Nessa perspectiva, visando colaborar com a adoção de hábitos e condutas que auxiliam na prevenção de doenças, na manutenção da saúde e o bem-estar dos estudantes foi projetada uma série de ações no plano de ensino da matéria educação física.

Tais ações foram planejadas para estudantes de ensino médio integrado ao ensino fundamental e incluíam: a) Uma avaliação diagnóstica com questões relacionadas ao conceito de educação física, seus conteúdos preferidos, malqueridos e desejados pelos estudantes e como as aulas de Educação Física poderiam contribuir com a sua formação educacional; b) Avaliação antropométrica para conhecer os estudantes com base no: IMC, %GC, RCCQ, Índice de correção postural, somatotipo, agilidade, potência anaeróbia, força de impulsão vertical e horizontal, frequência cardíaca, pressão arterial sanguínea, glicemia, flexibilidade, VO2Máximo; c) Execução de um seminário de educação física e saúde escolar incluindo os temas de acordo com o ano de ensino, conforme disposto no quadro abaixo.

Ano de ensino Título da palestra
1ºs ANOS Obesidade: uma questão de saúde pública
Alimentação saudável, hipertensão e dislipidemias
Uma História sobre o ideal de beleza:        representação, cultura, estética e saúde
2ºs ANOS Higiene ambiental: Cuidados com o planeta
Esteróides Anabolizantes
Doping no esporte: conceito, origem, evolução e classe de substâncias proibidas
Saúde postural: Desvios posturais e atitudes saudáveis
3ºs ANOS Drogas lícitas e ilícitas: efeitos e consequências
Vulnerabilidade dos efeitos e dependência da droga a várias formas de violência: Um relato de experiência
Sexualidade: Discutindo a sexualidade humana
Redução do risco e controle do diabetes
Fisiopatologia do diabetes mellitus
Exercício físico e hipertensão arterial

A realização do seminário teve por objetivo fortalecer as discussões e conhecimento de temas relacionados com o estilo de vida e que repercutem na qualidade de vida e saúde das pessoas. A partir desse diálogo, espera-se que os estudantes sensibilizem-se para a importância de práticas saudáveis ao longo da vida.

Após o seminário foi feita uma mostra de banner com os resultados da avaliação antropométrica. Essa exposição possibilitou aos estudantes conhecer e refletir sobre sua condição física, morfológica, hemodinâmica (em nível dos testes e medidas realizadas); Comparar seus resultados e da sua turma e com algum padrão ou população; Traçar metas e objetivos para melhorar sua condição física; Motivar-se a manter níveis satisfatórios nas variáveis avaliadas visando a saúde.

Essas ações foram consideradas importantes pelos estudantes e professores. Porém, não espero com esse relato dizer que é obrigação do professor de educação física promover ações de promoção da saúde, ou pelos menos, não exclusivamente dele. A sociedade brasileira inteira é responsável por tornar-se ativa, é obrigação de cada um sensibilizar as crianças, jovens, adultos e idosos para a adoção de práticas saudáveis. Com isso, ter-se-á uma sociedade mais saudável, menos gastos com a cura de doenças que se pode prevenir e mais recursos para outras causas.

Para isso, há que se ressignificar o oferecimento da educação física e a prática de atividades físicas e hábitos alimentares em todas as fases da vida, pois se falar de saúde refere-se ao bem estar individual e também ao coletivo, portanto necessita de ações de toda a coletividade nessa direção.

Quando todos se tornarem artistas da arte de ajudar pessoas a manter seus estilos de vida para um estado ótimo de saúde ter-se-á uma sociedade saudável e protegidas contra a obesidade, o diabetes, as doenças cardiovasculares e distúrbios relacionados ao excesso de gordura corporal.

LEITURAS RECOMENDADAS

BARBANTI, V. J. Dicionário de Educação Física e esportes. 2ª ed. São Paulo: Manole, 2003.
BRASIL, Ministério da Saúde. Plano de reorganização da atenção à hipertensão arterial e ao diabetes mellitus: Manual de hipertensão arterial e diabetes mellitus. Brasília, 2002.
BRASIL, Ministério da Saúde. As Cartas da Promoção da Saúde. Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde, Projeto Promoção da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2002.
BRASIL, Ministério da Saúde. Obesidade. Cadernos de Atenção Básica – n.º 12 Série A. Normas e Manuais Técnicos. Brasília, 2006.
BRASIL, Ministério da Saúde. Promoção da saúde e prevenção de risos e doenças na saúde suplementar: manual técnico. Agência Nacional de Saúde Suplementar. 3ª Ed. Rev. e atual. Rio de Janeiro: ANS, 2007.
BRASIL, Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a população brasileira: promovendo a alimentação saudável/ Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2008.
CHOR, D. Saúde pública e mudanças de comportamento: uma questão contemporânea. Cadernos de saúde Pública, Rio de Janeiro, v.15, n2, p. 423-425, 1999.
FERNANDES FILHO, J. Novas tendências da avaliação física. Versão 2010.
LALONDE, M. A New Perspective on the Health of Canadians: a working document. Ottawa: Government of Canada, 1974. Disponível em: . Acesso em: 25/08/2009.
LAZZOLI, J. K. et al Atividade física e saúde na infância e adolescência. Rev Bras Med Esporte _ Vol. 4, Nº 4 – Jul/Ago, 1998.
NIEMAN, D. C. Exercício e saúde: como se prevenir de doenças usando o exercício como seu medicamento. Tradução: Marcos Ikeda. São Paulo: Manole, 1999.
ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DE SAÚDE. Doenças crônicas degenerativas e obesidade: estratégia mundial sobre alimentação, atividade física e saúde. Brasília: OPAS; 2003.

O Lugar do Esporte Escolar

Em Rondônia vive-se um momento crítico quando se fala em esporte, em particular ao esporte escolar. E não falo das questões de sempre: infra estrutura, falta ou sucateamento de materiais, não investimento em capacitação de profissionais… aquelas dificuldades que permeiam a educação física escolar de todos os estados da República Federativa do Brasil. Além desses problemas, dois grandes acontecimentos surpreendem profissionais de educação física escolar e estudantes/atletas de Rondônia.

O primeiro de acordo com Ofício Circular n° 40/GAB/SETEC-MEC de 19 de abril de 2011, informando que os Jogos das Instituições Federais (JIF) foram adiados. Os jogos Ocorreriam no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), no mês junho. Restou acreditar que ocorressem os Jogos dos Institutos Federais do Norte (JIFEN), ainda em compasso de espera… indefinidos. Vai realizar? Segue o impasse, agora com possibilidade de realizar os JIF no Estado de Goiás, em outubro. Resta aguardar.

O segundo golpe veio com uma nota de esclarecimento público, divulgada em jornais eletrônicos da região, pela Secretaria Estadual de Educação sobre o cancelamento dos Jogos Escolares de Rondônia (JOER) 2011.

Nesse último caso, consola saber que a reação foi imediata o silencio dos bons foi quebrado diante de várias manifestações: carta manifesto a ser entregue na assembléia legislativa, abaixo assinado com assinatura de alunos, pais, professores, comunidade; mobilização junto ao ministério público; manifestação pública; nota a imprensa, entre outras formas de ações de toda a sociedade rondoniense.

Em meio a toda essa conjuntura lembrei-me de Jorge Steinhilber dizer que não podemos deixar de surfar nas ondas do tsunami dos megas eventos esportivos que ocorrerão Brasil, entre eles Copa do Mundo de Futebol e Olimpíadas 2016. Com essa lembrança e fatos que vem ocorrendo no Brasil (dúvidas sobre a realização dos JIF 2011) e em Rondônia (JOER é cancelado), só posso crer que há muitos governantes que ainda não têm noção do momento histórico que estamos vivendo, e o que é pior, se é que é possível piorar, não sabem qual o lugar do esporte.

Isso é notório em uma das (não)justificativas apresentadas na nota de esclarecimento público sobre o cancelamento do JOER, em que chamam de desprezível a classificação dos estudantes do estado nas últimas olimpíadas escolares. Mas pífio mesmo é termos governantes que desconhecem que: o esporte é um instrumento fundamental no auxílio ao processo de desenvolvimento integral das crianças, dos adolescentes e dos jovens. Assim, o lugar do esporte é nas instituições de ensino, nos vários campeonatos, nas olimpíadas escolares, na vida dos estudantes como direito fundamental instituído em vários documentos, inclusive no Manifesto Mundial da FIEP.

Portanto, como assegura Dória e Tubino(1), o esporte é um processo de desenvolvimento integral dos praticantes, respeitando as experiências e expectativas individuais democratizando o acesso a espaço esportivo, valorizando o esporte como complementar a técnica de saúde preventiva, incutindo valores éticos e sociais e resgatando a cultura esportiva.

Se há governantes que não sabem o lugar do esporte, restará a sociedade, em vez de surfar em ondas promissoras, combater as mazelas deixadas pelos tsunamis esportivos que passam pelo país.

Referências:

1 – DÓRIA, Carlos; TUBINO, Manoel José Gomes. Avaliação da busca da cidadania pelo Projeto Olímpico da Mangueira. In: Ensaio: Aval. Pol. Públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.50, p. 77-90, jan./mar. 2006.

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