Lançando um olhar um pouco mais atencioso que objetiva procurar a localização da pessoa idosa na atualidade, a impressão que fica é que o velho ficou destituído de valores. Entretanto, verifica-se também uma certa ambigüidade nesta relação com o idoso. A pessoa idosa é desvalorizada pela sua decadência física e ao mesmo tempo, re-valorizada pela sua sabedoria. Nesse sentido, paira um desconforto na medida que, de modo geral, somente a sabedoria do idoso que é sempre mais destacada na expressiva maioria dos registros acerca da velhice. Entretanto, acredita-se que é provável a existência de outros valores que, de igual modo, podem ser evidenciados na pessoa idosa.
Nesse sentido, entende-se ser de fundamental importância re-definir e re-configurar o papel do idoso na sociedade atual. Na verdade ele percebeu o progresso e por circunstâncias diversas não acompanhou as exigências do mundo novo e ainda, porque foram raras as vezes que as oportunidades lhe foram oferecidas. Talvez continue a faltar-lhe o essencial; justamente as oportunidades. A experiência de vida diante das mudanças dos valores morais, sociais, culturais e econômicos acaba configurando o que se conhece como choque entre as gerações.
No entanto, a inversão dos valores que são concebidos pelos idosos, de fato é bastante expressiva porque a rigor, nenhum dos valores tradicionais ficou intacto nos últimos vinte anos, sendo que a mesma situação também acontece com usos e costumes. Somando nesse quadro, surge ainda a moda que diminui ainda mais a importância do ser humano frente ao processo de envelhecimento principalmente porque se vive o tempo do culto ao corpo.
Assim, cada vez mais, psicologicamente a velhice é negada, rejeitada e mascarada. Com um pouco mais de atenção pode-se perceber que até a palavra ‘velhice’ foi convertida numa espécie de tabu ao ser substituída por outras designações, como, por exemplo: terceira idade, melhor idade, quarta idade, etc. Paralelamente a tal contexto, há estudos indicando que a longevidade mesmo sendo considerada uma vitória das áreas da saúde, é um contraponto quando analisada na esfera econômica em virtude dos significativos aumentos monetários, cujo fim, é incerto. Esse raciocínio, parece mesmo ser próprio de uma sociedade onde, a pessoa é valorizada na proporção da sua capacidade de produzir bens. Quando os resultados são menores que o esperado e/ou previsto, percebe-se algo muito parecido com o que acontece com os produtos descartáveis, isto é, são interessantes até o momento que servem aos propósitos a que foram concebidos e são assim jogados no lixo. Ainda, aproveitando tal analogia, pode-se dizer que alguns produtos descartáveis continuam sendo válidos porque são reciclados, e, voltam a servir aos propósitos a que foram concebidos. Já com a pessoa idosa, nem a sua riquíssima experiência de vida pode se dizer que é valorizada. Simplesmente existirá um dia que ela será aposentada e não terá mais as obrigações laborais que sempre teve ao longo de toda a sua existência.
De sorte que o modelo de aposentadoria tal como é concebido, indubitavelmente pode ser considerado como impróprio e injusto. Na atualidade o trabalhador que se vê às proximidades da sua aposentadoria, apresenta uma atitude ambivalente. Por um lado é atraído pelo fato de não ter mais as rotinas referentes aos compromissos do trabalho, e por outro, continua a acordar no mesmo horário, não sabe mais ocupar seu tempo e energia e seus ganhos apresentam-se bastante reduzidos. Sente-se inseguro nesta etapa da vida. Raciocina com a certeza de que o melhor da vida já passou e que caiu em decadência, e, até onde se sabe, não há nenhuma proposta otimista que o faça encarar a situação de outro modo.
Não é então por acaso que as informações percebidas em jornais e na impressa falada e televisada, alertando que em boa parte do mundo geralmente as pessoas idosas encontram-se inseridas no contexto sócio-econômico dos grupos mais pobres da população, sendo que, as mulheres sofrem mais intensamente tal processo.
Incluso nesse processo da aposentadoria e da idade, entende-se no contexto social contemporâneo que há a precocidade nas reformas, o que de certo modo, contribui com o aparecimento da exploração à população idosa, mediante a oferta – amplamente difundida em forma de propaganda –, de serviços como: hotéis, bingos, produtos farmacológicos que garantem o rejuvenescimento pessoal.
Então, pode-se, ainda que tal raciocínio não seja totalmente seguro, afirmar que exista uma abordagem incorreta sobre a velhice. Parece estar claro que uma pessoa idosa não é inútil e tampouco suas qualidades e imperfeições devem ser camufladas. Assim, a principal questão de fato, pode estar condicionada no redimensionamento da integração social do idoso a começar pelo resgate dos seus valores, suas potencialidades, suas habilidades, entre outras situações também não menos importantes.
Tal raciocínio conduz a lógica em afirmar que, o envelhecimento do organismo não é e nem poderá ser, sinônimo de incapacidade.
No quadro elaborado – que também serve como reflexão – é possível verificar que as pessoas são destacadas em várias áreas do conhecimento, não havendo maior ou menor relação com esta ou aquela aptidão, o que de certo modo, pode servir como referência indicando que o ser humano vivendo a fase do processo de envelhecimento, e por isso mesmo experimentando os limites impostos pelos desgastes naturais próprios da passagem do tempo, conseguiram ser partícipes efetivos e ativos de suas sociedades contribuindo significativamente para a construção de um tempo novo.
ALGUNS DESTAQUES NA VELHICE
|
NOME |
DISTINÇÃO |
IDADE |
| Freidrich Von Hayek | Nobel da Economia | 75 anos |
| Luigi Einaudi | Pres. Rep. Italiana | 74 anos |
| Winston Chuchill | Chefe Britânico | 77 anos |
| Golda Meier | Criação Est. De Israel | 71 anos |
| Ronald Reagan | Pres. E.U.A | 70 anos |
| Bertrand Russel | Nobel da Literatura | 72 anos |
| Miguel de Cervantes | 2ª Parte da Obra | 68 anos |
| Tolstoi | Escreveu Ressureição | 77 anos |
| Thomas Mann | A Confissão de F.Krull | 80 anos |
| Agatha Christie | Trab. Literário | 85 anos |
| Giuseppi Verdi | M. Clássica Falstaff | 74 anos |
| Miguel Ângelo | Pint. B. São Pedro | 71 anos |
| Pablo Picasso | Produziu Pinturas | 92 anos |
| Dr. Galo Leoz | Oftalmologia | 110 anos |
Fonte: Cabrillo e Cachofeiro / Adaptação – Antonelli (2004)
Até a próxima, e,
Um Grande abraço!
