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Korfebol (Por Marcelo Korfebol)

Multidisciplinaridade Como Aliada

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Pouco conhecido, o Korfebol estimula a quebra de paradigmas do esporte competitivo e vira ferramenta nas aulas de Matemática.

Da junção do Handebol com o Basquete nasceu o Korfebol, criado pelo Professor de Educação Física Nico Broekhuvesen, em 1902. Sendo um dos raros esportes coletivos mistos, o Korfebol é o quarto mais popular na Holanda, onde surgiu. Atualmente é praticado em mais de 40 países e tem como grandes potências a própria Holanda, além de Bélgica, Portugal, Alemanha, República Tcheca, China e Austrália.

Já nas Olimpíadas de 1920 e 1928, o Korfebol foi apresentado como demonstração. Nos dias de hoje, além de conseguir atrair novos adeptos a cada dia, este esporte tem uma função muito importante nas escolas onde é praticado, desenvolvendo o gosto pela estratégia, cooperação e a integração de todos os participantes.

APRENDENDO O JOGO

No Korfebol vence a equipe que marcar mais pontos, colocando a bola na cesta, como no Basquete. Cada equipe tem quatro homens e quatro mulheres, divididos em casais. A bola também é de outro esporte: o futebol, modelo número 5.
A dinâmica do jogo exige que cada homem só marque outro homem e cada mulher, outra mulher. No Korfebol não é permitida a marcação dois contra um, nem a marcação entre sexos opostos. Também não vale contato físico.

Para que todos exerçam os diversos papéis necessários para o jogo, a cada duas cestas, defensores viram atacantes e vice-versa. Segundo o Profissional Guilherme Borges Pacheco (CREF 002571-G/RJ), coordenador de Educação Física da Universidade Gama Filho, esta troca de funções dá ao praticante maior experiência tática e motora.

O Korfebol tem outra especificidade: quem recebe a bola deve parar e passá-la para o colega do time. Ninguém pode quicar a bola, driblar o adversário ou correr com a bola na mão. Isso impede que um jogador fominha tente resolver o jogo sozinho, diz o Prof. Marcelo Soares (CREF 0232246-GRJ).

Ele conta que há algum tempo estava com dificuldades para integrar as crianças de uma comunidade carente do Rio de Janeiro e resolveu apresentar o novo esporte ao grupo. O aluno tem que aprender a se deslocar sem a bola, aproveitando melhor o espaço, explica o Prof. Soares. Também não pode haver tentativa de marcar ponto quando o adversário está com os braços erguidos entre o jogador e a cesta, impedindo o arremesso. A partida dura uma hora e tem 10 minutos de intervalo.

O Korfebol é uma oportunidade para quem foi excluído do vôlei ou do basquete, já que a força e tamanho não são essenciais, diz o Prof. Soares. A iniciativa deu tão certo que hoje o Korfebol faz parte do currículo dos alunos do Ensino Fundamental em cerca de dez escolas do bairro do Méier (Rio de Janeiro), onde Soares atua. O esporte já vem sendo praticado também em regiões de São Paulo e Minas Gerais com muito sucesso.

Como nenhum jogador pode tocar no adversário para roubar a bola, o esporte cria uma relação de interdependência e respeito entre os colegas do mesmo time no caminho até a cesta. Além de juntas traçarem uma estratégia, as crianças conversam entre si para marcar os pontos. É um estímulo ao raciocínio, diz Soares.

ABRINDO ESPAÇOS E AMPLIANDO HORIZONTES PROFISSIONAIS

A prática do Korfebol conquistou também um lugar cativo em salas de aula. É o que acontece no Centro Educacional Lins (Rio de Janeiro), onde as crianças de 1ª a 4ª série aprendem Matemática com as regras deste esporte. Ao perceber a dificuldade de alguns alunos para entender conceitos matemáticos, como números pares e ímpares, tabuada e ordens crescente e decrescente, o Profissional adaptou tópicos da disciplina às regras do jogo. Na partida, quando fazem uma cesta, por exemplo, os alunos dizem em voz alta se o número da pontuação é par ou ímpar. Isso facilita a absorção de assuntos que precisam de memorização, afirma a professora de Matemática da escola, Andréa Iavecchia Villardo.

INTEGRAÇÃO, INCLUSÃO E MAIOR PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS

O Korfebol também se destaca por estar ao alcance de todos. Obesos, deficientes físicos ou pessoas com pouca coordenação motora podem participar ativamente, uma vez que os deslocamentos não exigem grande velocidade e não há disputa de força. O índice de atestados médicos solicitando a exclusão de alunos nas aulas de Educação Física diminuiu, porque as crianças com dificuldades se sentem incluídas na equipe, diz Soares. Além disso, o equipamento – composto basicamente por duas cestas e uma bola – é simples e se adapta a qualquer espaço. Quando chove, a gente dá aula dentro da sala e pode usar um balde sem fundo e uma bolinha de jornal ou de meia, explica.

Como é sabido, para um esporte tornar-se olímpico, o Comitê Olímpico Internacional (COI) exige que ele seja praticado em pelo menos 50 países. Se depender de pessoas como o Profissional Marcelo Soares, esta meta será logo alcançada.

POR UM JOGO INCLUSIVO

No início do século XX, quando o Korfebol foi criado, a Associação de Educação Física de Amsterdã procurava um jogo que pudesse ser praticado por crianças, jovens e adultos, e que reunisse os dois sexos na mesma equipe. Nesta época não era comum mulher praticar esporte, muito menos com homem. Por isso Nico Broekhuyesen pensou numa prática fácil de ser aprendida. Em holandês, korf quer dizer cesta e ball, bola. Em 1933 foi criada a Federação Internacional de Korfebol (IKF), com sede na Holanda. Reconhecido pelo COI há 13 anos, o Korfebol é praticado por cerca de 1.000.000 de pessoas em 59 países, No Brasil já existem sete times formados, todos no Rio de Janeiro. Em São Paulo o esporte esta sendo iniciado como alternativa de lazer, Rondônia através da professora Valdirene Guimarães. Professor Bepi vem realizando cursos e palestras sobre a modalidade.

Fontes:
Revista Nova Escola – Matéria de Débora Didonê – Fevereiro de 2006
Revista Mundo Estranho – Setembro de 2005
Diário LANCE! – Agosto de 2005
Matérias diversas dos Jornais O Globo, Jornal do Brasil e Diário da Tarde

Korfebol, o jogo dos números

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Criado na Holanda, esse centenário esporte de nome ainda pouco conhecido estimula o trabalho em equipe e vira ferramenta para aulas de Matemática

Com dificuldades para integrar as crianças de uma comunidade carente nas aulas de Educação Física, no Rio de Janeiro, o professor Marcelo Soares resolveu apresentar um novo esporte ao grupo: o Korfebol. No jogo, as equipes são formadas por meninos e meninas. São proibidos o contato físico entre os jogadores e a marcação entre sexos opostos. “Ele abre espaço para quem foi excluído do vôlei ou do basquete, já que a força não é essencial”, diz o professor. A iniciativa deu tão certo que hoje o Korfebol faz parte do currículo dos alunos do Ensino Fundamental em cerca de dez escolas do bairro do Méier, onde Soares atua. O que não se imaginava é que a prática conquistaria também um lugar cativo em salas de aula. É o que acontece no Centro Educacional Lins, onde as crianças de 1ª a 4ª série aprendem Matemática com as regras do Korfebol.

Como nenhum jogador pode tocar no adversário para roubar a bola, o esporte cria uma relação de interdependência e respeito entre os colegas do mesmo time no caminho percorrido até a cesta (leia abaixo as regras do jogo). Além de pensar juntas numa estratégia, as crianças conversam entre si para marcar os pontos. “É um estímulo ao raciocínio”, diz Soares. Por isso, ao perceber a dificuldade de alguns alunos para entender conceitos de Matemática como os números pares e ímpares, ordem crescente e decrescente e tabuada, o professor adaptou tópicos da disciplina às regras do jogo. Na partida, quando fazem uma cesta, por exemplo, os alunos dizem em voz alta se o número da pontuação é par ou ímpar e, ao marcarem pontos, fazem a contagem direta e reversa dos pontos. “Isso facilita a absorção de assuntos que, basicamente, precisam de memorização”, afirma a professora de Matemática da escola, Andréa Iavecchia Villardo.

O Korfebol também se destaca como um esporte ao alcance de todos, até dos mais gordinhos, de quem tem deficiência física ou pouca coordenação motora, uma vez que os deslocamentos não exigem grande velocidade e não há disputa de força. “O índice de atestados médicos diminuiu porque as crianças com dificuldades se sentem incluídas na equipe”, diz Soares. Além disso, o equipamento – composto basicamente por duas cestas e uma bola – é simples e se adapta a qualquer espaço. “Quando chove, a gente dá aula dentro da sala e pode usar um balde sem fundo e uma bolinha de jornal ou de meia”, explica o professor.

Como jogar

O Korfebol é parecido com o basquete. Vence no Korfebol a equipe que marcar mais pontos colocando a bola na cesta. Como no handebol, os jogadores conduzem a bola com as mãos. O Korfebol é um dos poucos esportes coletivos mistos do mundo. Cada equipe tem quatro meninos e quatro meninas, divididos em casais. Outro diferencial: menino só marca menino, menina só marca menina. O mesmo vale para a defesa. Nesse jogo não existe dois contra um e também não vale contato físico.

A cada duas cestas, os times trocam as zonas. Ou seja, defensores viram atacantes e vice-versa. Isso permite que todos exerçam os mesmos papéis. “A troca de função também dá ao aluno maior experiência tática e motora”, diz o professor Guilherme Borges Pacheco, coordenador de Educação Física da Universidade Gama Filho. No segundo tempo do jogo, os times trocam de lado na quadra. A cada início do jogo e cesta marcada, a bola é jogada pela equipe em desvantagem a partir da linha que divide a quadra.

No Korfebol, quem recebe a bola deve parar e passá-la para o colega do time. Ninguém pode quicar a bola, driblar o adversário ou correr com a bola na mão. “Isso impede que um jogador ‘fominha’ tente resolver o jogo sozinho”, diz o professor Soares. “O aluno tem que aprender a se deslocar sem a bola, buscando aproveitar melhor o espaço.”

Na matemática

Segundo Marcello Bepi Soares, há conceitos de Matemática que podem ser facilmente absorvidos no Korfebol pelos alunos que têm dificuldade de aprendizado na sala de aula. Para ensinar o que são números pares e ímpares, o professor define qual a pontuação máxima que os alunos devem fazer para vencer uma partida. As crianças dizem se esse número é par ou ímpar e vão à luta. Durante o jogo, cada time veste coletes de uma cor diferente. Um é numerado só com números pares e outro, só com ímpares. Para treinar tabuada, quando o aluno faz uma cesta, o professor pergunta imediatamente quanto é 2×2, por exemplo. Com a resposta certa, o time ganha mais um ponto – além do equivalente à cesta.

Korfebol

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Korfebol. Assim chama-se o esporte que ressurgiu oficialmente no Brasil em 22 de outubro de 2000. Na verdade trata-se de um jogo holandês, inventado em 1902. Que é reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional, sendo esporte de demonstração nas Olimpíadas de 1920 (Antuérpia – Bélgica) e 1928 (Amsterdã – Holanda). Em 1998 os Professores Marcello Bepi Soares e Claudio Ferreira de Oliveira, na época estudante de educação física na Universidade Castelo Branco, tiveram seu primeiro contato com a modalidade. Intrigados com o fato de ser jogado obrigatoriamente por homens e mulheres, e após muita pesquisa, teve a idéia de divulgá-lo em nosso país. O primeiro local a conhecer o Korfebol foi a comunidade Fernão Cardim, localizada no bairro de Pilares – RJ, onde os professores conseguiram em 2 meses realizar a integração de meninos e meninas e transformar o esporte como o segundo na preferência de atividades.

O Korfebol é conhecido na Europa, Ásia, Oceania, África e América do Norte, sendo que na América do Sul. O Brasil foi o pioneiro a ter equipes formadas. Em muitos países europeus existem campeonato com primeira e segunda divisão, e é ensinado até nas universidades” – entusiasma-se. Após 4 anos de pesquisa O Korfebol brasileiro foi reconhecido pela Federação Internacional de Korfebol, sendo o Brasil o 41º e primeiro país da América do Sul.

O korfebol é o único esporte coletivo onde homens e mulheres atuam juntos. O jogo é bem simples: cada equipe conta com quatro casais, sendo dois jogando na defesa e dois no ataque. O objetivo é acertar a bola numa espécie de cesta, que diferentemente da utilizada no basquete, não possui tabela e é feita de vime ou material sintético. Ao contrário dos outros esportes, o jogador que recebe a bola não pode andar com ela, nem mesmo quicá-la. A marcação é feita de forma individual e não é permitido marcar jogador do sexo oposto. O contato físico também é proibido. Pode ser jogado por pessoas de todas as faixas etárias, inclusive portadores de deficiência, pois não requer muitas habilidades.

No Brasil, mais especificamente o esporte vem sendo praticado no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rondônia e Brasília. O Esporte ainda está em fase de desenvolvimento nos demais países sul americanos. Marcelo é divulgador oficial reconhecido pela IFK (a Federação Internacional de Korfball),. “No início as oportunidades de mostrar o Korfebol eram mais difíceis, até porque é novidade, e a modalidade e muito diferente do que estamos acostumados a praticar na escola. No Brasil existe uma cultura de que todo esporte que não seja o futebol não vai dar certo e nós professores de educação física, comprometidos com a profissão precisamos mudar esse paradigma, propiciar a nossos alunos outras atividades para que tenhamos cada vez mais pessoas praticando atividade física e esportes.

O Korfebol já participou de vários programas de TV. Como Ana Maria Braga, Jornal Nacional, Esporte Espetacular, Ana Hickman… entre outros, onde todos podem ser facilmente localizados no famoso site de vídeos: www.korfeblog.blogspot.com ou simplesmente digitando a palavra “ Korfebol ou corfebol”.

A julgar pelo sucesso que faz entre seus praticantes, o korfebol tem tudo para tornar-se um esporte popular. A cada dia surgem novos adeptos, em sua grande maioria jovens, porém Marcello Bepi Soares realiza outras maneiras de se jogar Korfebol adaptando o esporte a realidade do grupo que está praticando, uma delas é o Korfebol família onde pais e filhos conseguem jogar em igualdade de condições. “ É muito interessante poder ver os pais virando crianças junto com seus filhos e brincando e sorrindo, combinando as jogadas, a estratégia, interagindo, facilitando o diálogo através do esporte”. Uma das características do Korfebol brasileiro é que não são permitidos palavrões, empurrões, jogadas agressivas, o que atrai bastante as pessoas que não tem perfil competitivo, ele desenvolve no praticante gradativamente a Cultura de paz, onde o adversário é visto como adversário e não como inimigo. Por ser um esporte obrigatoriamente misto se torna ainda mais atrativo, geralmente os homens vão por ser um jogo que conta com a presença feminina, e as mulheres pelo fato de ser de fácil aprendizado, além de divertido. Quase todos os participantes têm o korfebol em segundo lugar na preferência. Mais do que simples jogadores, todos eles fazem questão de enaltecê-lo, não medindo esforços para isso: ajudam a carregar os equipamentos, na divulgação, contribuem financeiramente – ainda que com uma taxa irrisória – e não se importam nem um pouco com as constantes piadinhas das quais são vítimas por serem praticantes de uma modalidade recém-chegada. Surpreende ver tanta dedicação e empenho. Mais do que um time, eles são o que se pode verdadeiramente chamar de equipe. Os primeiros integrantes foram “fisgados” pelo técnico enquanto passavam na rua. Outros eram amigos, vizinhos ou parentes. Há também aqueles que se interessaram pela modalidade após assistirem as exibições promovidas pelo treinador, através de cursos, palestras, eventos, até mesmo festa de aniversário. Em ambiente escolar o professor Marcello Bepi Soares, gosta de realizar o Korfebol Dia dos Pais e dia das mães onde todos podem interagir e conhecer a modalidade de forma lúdica e prazerosa. O jogo vem sendo apresentado também em presídios como forma de se diminuir agressividade dos presos e através de suas regras pedagógicas poder trazer de volta ao detento a tão sonhada cidadania e a segunda chance. Aulas de Korfebol são pautadas nos princípios de igualdade, facilitação de diálogos, ciclo de conversas e com objetivos específicos, que auxiliam até no aprendizado da matemática. A Idéia de Soares agora e trazer outras disciplinas para dentro da quadra, como Português, Geografia e História e também focar na questão da síndrome de Down e cadeirantes onde o desporto irá ser o primeiro esporte a unir “cadeirantes” e “andantes” na mesma equipe. Parcerias estão sendo realizadas para que o sonho do Professor Marcello Bepi Soares se torne realidade.

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