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Imagem Corporal e Educação Física Escolar (Por Ricardo Catunda )

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Ricardo Catunda
CE - Brasil
E-mail: ricardo.catunda@uece.br

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A Educação Física Escolar e o Lúdico na Formação Humana

O lúdico é um estado de transcendência. ”Instante recheado de prazer e liberdade de tempo e espaço, que não encontra outro fim, senão a vivência do próprio instante” (CATUNDA, 2005).

Esse contato só é possível de ser vivenciado pelos seres humanos, haja vista ser o lúdico, como sentimento, uma possibilidade exclusivamente humana. A busca de momentos agradáveis, do prazer, da alegria e do brincar acompanham o homem em toda sua evolução. No entanto, com as exigências das sociedades que foram se modernizando e assumindo um modelo de produção agressivo, o homo ludens foi perdendo suas características, e como uma pintura esquecida, foi se desgastando com o tempo.

Mas se o lúdico é parte da natureza e da cultura humana, como podemos abrir mão desse sentimento?

No princípio da vida, na infância, o brincar é socialmente aceitável. É no brincar que a criança concretiza suas experiências e utiliza o imaginário para desenvolver-se, e é por essas representações que ela se faz presente no mundo. Porém, na ânsia de antecipar o amadurecimento dos filhos para que se tornem competitivos na fase adulta, pais desavisados criam uma agenda recheada de compromissos para as crianças que deveriam ter mais tempo para o viver criança.

Neste quadro, a Educação Física escolar exerce papel significativo no oferecimento de vivências lúdicas, capazes de despertar e desenvolver a partir da infância, o sentimento de prazer em participar de atividades corporais. Essas primeiras experiências sistematizadas, se vividas de forma a desencadear experiências positivas, em muito contribuirá para que o futuro adulto, relacione a prática de atividades físicas e esportivas a algo que trás benefícios, alegria e contentamento e por isso poderá incorporá-las ao seu estilo de vida.

Para os adultos, um alerta de Negrine (2001), para quem a concepção de que o brincar está reservado às crianças nada mais é do que a perda da naturalidade humana, imposta pelo homem ao próprio homem, já que – a história nos diz – o adulto costumava dedicar muitas horas ao lazer.

Existe, porém o professor de Educação Física escolar, um ator de significativa importância nessa cena. É ele que assume a responsabilidades em propagar o lúdico no ambiente social escola. É ele o orientador de alunos, pais e gestores, na condução de uma ação mais efetiva no sentido da formação humana. Oferece a oportunidade da vivência lúdica como um bem a ser adquirido por todos para uma melhor convivência.

Ora, mas qual a importância que as pessoas na sociedade atual atribuem ao lúdico? Certamente não podemos ser ingênuos e com simplicidade, demonizar de forma particularizada um ou outro de uma série de eventos que ocorrem na vida, como: as novas tecnologias, o trabalho, a falta de educação para o bom uso do tempo livre, a fome, a violência, a escola, o desrespeito à natureza, a precariedade dos equipamentos públicos, os modos de vida de consumo dos urbanos, atribuindo-lhes culpa por produzir um humano sem graça.

Assim, levantamos algumas questões para reflexão: as pessoas têm reservado tempo e espaço para o brincar? Participam conjuntamente com a família e amigos de instantes de alegria e prazer em atividades lúdicas? Qual o lugar do lazer nas prioridades cotidianas? Você já reparou que nas atividades mais simples e que não custam nada, se concentram a maior parte das boas lembranças? Porque se corre tanto na busca do acúmulo de bens e poder de consumo?

Podemos categoricamente afirmar, que estamos diante de um novo paradigma para a formação humana. Um novo modelo, que efetivamente passa pela necessidade de um repensar o conceito de educação. Que passa por uma re-engenharia da escola. Que passa por professores que precisam ser mais valorizados, que sintam prazer e alegria ao ensinar, e que, assumam a responsabilidade devida com aquilo que representam. Mas que, acima de tudo, passa pelas relações familiares. De um jeito de ser família. De um crescer co-responsavelmente juntos. E assim mesmo, como um sonhador, um ser maravilhosamente utópico, pensar um mundo onde seja possível a aprendizagem do humano para o brincar, e entender que isso é ponte para uma vida feliz e saudável.

REFERÊNCIAS

CATUNDA, Ricardo. Brincar, criar e vivenciar na escola. Rio de Janeiro: Sprint, 2005.
NEGRINE, Airton. Ludicidade como Ciência. Santa Marli Pires dos Santos (Org.). Petrópolis: Vozes, 2001.

Educação Física Escolar: contribuições para a formação da imagem corporal em adolescentes

A Educação Física escolar, passado os movimentos de sua origem de caracterísitica higienista e militar, amparou-se no tecnicismo e encontrou identidade na esportivização que de modo hegemônico ocupa os conteúdos. Fato é que, afora as práticas lúdicas que de certa forma tornam as aulas mais participativas e o apelo que o esporte desperta nos alunos, de modo especial os mais habilidosos, pouco resta para que esta disciplina se justifique no ambiente escolar.

Necessário se faz aos profissionais que encontraram na escola o seu lócus de intervenção, utilizar-se da especificidade desse componente curricular para definitivamente dar sua contribuição na formação das crianças e adolescentes. É função da Educação Física escolar desenvolver cultura para o pleno exercício de uma vida ativa e saudável através da apresentação das diversas abordagens que compõem as atividades corporais. Não se concebe um adolescente que passou mais de uma década participando de aulas semanais em sua trajetória escolar, mostrar total desconhecimento sobre os efeitos, biopsicossociais da prática regular das atividades físicas e esportivas e apresentar baixa percepção da imagem corporal.

O adolescente de modo especial é bombardeado pela exigência do padrão estético culturalmente definido para o corpo. Estas exigências em uma fase da vida que acumula significativa dose de transformações e conflitos geram distúrbios de ordem psicológica, e não frequente promove a utilização de recursos artificiais ilícitos e danosos à saúde para a busca do padrão.

A disciplina de Educação Física através das vivências coletivas e interpessoais que sua prática proporciona, pode e deve contribuir para minimizar os efeitos dessa imposição do padrão estético. Uma forma de ação que podemos empreender por ocasião da prática é o desenvolvimento da autopercepção do corpo pela via da formação positiva da imagem corporal.

O que nos revela as relações que os adolescentes estabelecem com a imagem corporal, possibilita a constatação inicial como refere Alves et al. (2009), que a maior ou menor satisfação com a imagem do corpo está intimamente relacionada com a maior ou menor correspondência aos ideais de beleza, incutidos culturalmente. Na cultura ocidental somos diariamente confrontados, através dos meios de comunicação social, com verdadeiros modelos estéticos, que nos impõem ou criam o desejo da procura de um enquadramento do corpo em modelos pré-estabelecidos de beleza.

A preocupação excessiva com a estética corporal é um fenômeno em crescimento na sociedade que impõe padrões a serem seguidos. Com toda essa pressão social e cultural pelo desejo estético, é cada vez maior o número de pessoas que sofrem de transtornos corporais de imagem (FRANCO e NOVAES, 2005).

O sujeito, ao ficar exposto à cultura do magro imposta pelos meios de comunicação (MORGAN, VECCHIATTI e NEGRÃO, 2002), procura atingir esse ideal de beleza. Todavia, essa magreza ideal proposta nem sempre é atingível, a qual desencadeia um aumento na predisposição à insatisfação corporal.

A insatisfação corporal pode ser definida como a avaliação negativa do próprio corpo (ADAMI et al., 2008), sendo diagnosticada, geralmente, por meio de figuras das silhuetas corporais e questionários, que focalizam preocupações com o peso, forma e gordura corporal (SMOLAK, 2001).

Ao falarmos da Educação Física na escola, o professor é determinante para a abordagem de temas como a imagem corporal evidenciando sua prática pedagógica e forma de pensar. Assim, para que se processe alguma mudança de comportamento do aluno frente a sua imagem corporal por via da Educação Física, o professor deve criar condições para através das aulas, trazerem reflexões sobre as formas de imposição de modelos, bem como, potencializar a formação de atitudes positivas relacionadas ao corpo.

REFERÊNCIAS

ADAMI, F., FRAINER, D.E.S., SANTOS, J.S., FERNANDES, T.C., & DE-OLIVEIRA, F.R. Insatisfação corporal e atividade física em adolescentes da região continental de Florianópolis. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 24(2), 143-149, 2008.
ALVES, D., PINTO, M., ALVES, S., MOTA, A., & LEIRÓS, V. Cultura e imagem corporal. Revista Motricidade, 5(1), 1-20, 2009.
FRANCO, V.H.P.; & NOVAES, J. S. Estética e imagem Corporal na Sociedade atual. Cadernos Camilliani. Cachoeiro de Itapemirim, v. 6, n. 2, 111-118, 2005
MORGAN, C., VECCHIATTI, I., & NEGRÃO, A. Etiologia dos transtornos alimentares: Aspectos biológicos, psicológicos e socioculturais. Revista Brasileira de Psiquiatria, 24(SIII), 18-23, 2002.
SMOLAK, L.M. Body image in children. In J.K. Thompson, & L. Smolak (Ed.), Body image, eating disorders and obesity in youth: Assessment, prevention and treatment (pp. 41-66). Whashington, DC: American Psychological Association, 2001.

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