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Esporte Escolar e História da Educação Física (Por Otavio Augusto A. C. Fanali)

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Recentemente revista de circulação nacional veiculou matéria denominada “ O fitness pré-histórico” em que se afirma que as “atividades são parte do chamado paleotreino, uma série de exercícios inspirados em movimentos que o homem fazia no período paleolítico ( de 2,7 milhões de anos a dez mil anos a.C.).

Mas, para nós profissionais de educação física que tivemos a oportunidade de conhecer, estudar e aprender o Método Francês, inclusive em nosso tempo de ginásio, as aulas de educação física eram prioritariamente conduzidas pelo Método Francês, que preconizava e classificava os exercícios físicos em grupos: jogos, evoluções, “assouplissements ( flexionamentos), movimentos mímicos, educativos, aplicações e desportos.

Os exercícios de flexibilidade de ordem analíticos apresentam uma subclassificação segundo a sua ação: braços, pernas, tronco, combinados, assimétricos e da caixa toráxica, os movimentos mímicos, os educativos e as aplicações divididos em famílias:marchar, trepar, saltar, levantar e transportar, correr, lançar, atacar e defender.

É aqui nesta classificação que o francês Erwan Le Corre, mentos do movNat (mova-se naturalmente) incorre em pretender ressuscitar o antigo Método Francês, não fazendo nenhuma citação ao mesmo ao longo do artigo.

Como se pode perceber, o presente método nada mais é do que uma reprodução de algo que vigorou durante anos nas aulas d educação física das escolas da França e também nas brasileiras.

Parece que virou moda buscar no passado atividades físicas que predominavam junto à sociedade e revitalizá-las com outra roupagem como é o presente caso e dos alongamentos, que no passado eram denominados de flexibilidade.

O brasileiro Alvaro Romano, nos anos 70 criou uma ginástica natural que utilizava o peso do corpo como forma de se exercitar, porém, indagado a respeito do Fitness pré-histórico afirmou: “ eles propõem atividades que tem muito risco”, e exemplificou: “ não é qualquer pessoa que pode subir em uma árvore, atirar uma pedra ou carregar um tora”.

Por outro lado, a coordenadora do Laboratório de Pesquisa do Exercício da UFRS, Flávia Martinez comentou que: “ é uma proposta válida, mas não recomendaria para quem não tem um preparo físico”.

Mais uma vez trazem para nosso País uma atividade requentada e que é vendida como novidade e, certamente, os “sabidos de plantão” saberão tirar proveito e auferir lucros financeiros às custas de incautos brasileiros.

Cabe perguntar: Onde estão as autoridades responsáveis pelos órgãos que deveriam cuidar da educação física “.

O Estado e o Desporto

No Brasil os políticos e administradores públicos, em todos os níveis e sistemas de governo – federal – estadual – municipal – ainda não se deram conta do relevante papel que o desporto e o lazer representam para favorecer o desenvolvimento e crescimento do ser humano, proporcionando as condições ideais para integrar o futuro cidadão em seu verdadeiro e real papel na sociedade.

Um simples programa de atividades físicas e desportivas, embasado em critérios científicos e pedagógicos, direcionado às escolas, gera como conseqüência a melhoria das condições de vida para cada membro da população, pois a escola sendo a “célula mater “ da educação é o local privilegiado para se dar começo à iniciação das atividades físicas, primeiramente, como forma recreativa, na educação infantil, com atividades de estimulação e outras da motricidade, na fase da educação fundamental, com a continuação das atividades motrizes e início da prática do ensino dos fundamentos desportivos e, no ensino médio, com atividades de cunho de especialização desportiva, encaminhando cada educando para o desporto de sua preferência, para quando chegar à universidade e, para os clubes de maneira geral, mas que hoje em dia, a grande maioria dedica-se somente às atividades sociais e, alguns preferem investir somente no futebol.

Por ouro lado, estabelecimentos de ensino e instituições de ensino superior montam equipes desportivas, de ocasião, isto é, mais pela atração da publicidade farta e gratuita, do que pelo interesse em concorrer para o crescimento e desenvolvimento da performance desportiva.

Com a criação do Ministério do Esporte, o governo federal pretendeu operacionalizar o artigo 217 da constituição Federal, diversos programas foram criados, destacando-se “ navegar “e “segundo tempo”, destinados a estudantes, programas de iniciação desportiva, com a participação de estagiários dos cursos de educação física, mas , carecendo de um acompanhamento para avaliação periódica e, na grande maioria, com os estagiários atuando na substituição do profissional de educação física, causando problemas pois não cabe ao estagiário o desempenho de certas funções, pois lhe falta a formação didático-pedagógica-cientifica para atuar.

Com a criação do Conselho Federal de Educação Física (CONFEF) e dos Conselhos regionais acreditava-se que tais irregularidades seriam sanadas, mas tal prática continua e,.se estende para outros programas: “Bom de Bola “, “Jovem Cidadão”, “Galera Nota 10” e muitos outros, com financiamentos oficiais e da iniciativa privada.

As academias e afins, também merecem uma atenção toda especial, pois são responsáveis pela ministração de atividades físicas para a população que busca ,melhor qualidade de vida e, não pode ficar nas mãos de leigos ou de estagiários de educação física, pois o número de acidentes e danos à saúde crescem assustadoramente.

Cabe ao Estado, através de seus órgãos de defesa do cidadão colaborar com o Sistema CONFEF/CREFs para disciplinar tão importante atividade para a população.

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